Quarta-feira, Janeiro 31, 2007

reparei de novo..

'Somos folhas breves onde dormem
aves de sombra e solidão.
Somos só folhas e o seu rumor.
Inseguros, incapazes de ser flor,
até a brisa nos perturba e faz tremer.
Por isso a cada gesto que fazemos
cada ave se transforma noutro ser.'

Eugénio de Andrade. 'As mãos e os frutos', 1948


a ouvir.. Jorge Palma. 'No tempo dos assassinos'
' Enquanto houver estrada para andar.. A Gente vai continuar'
(1982)








.. que é bem melhor
desejar antes as estrelas cadentes que as estrelas caídas.

Terça-feira, Janeiro 30, 2007

paris


geoffroy demarquet . 'city life' 06

Segunda-feira, Janeiro 29, 2007

Y asi pasan los dias

'Estas perdiendo el tiempo, pensando, pensando
Por lo que Tu mas quieras
hasta cuando, hasta cuando

Y asi pasan los dias,
y yo desesperado
y Tu,Tu contestando

Quizas, Quizas, Quizas.

Siempre que te pregunto
que cuando, como y donde
Tu siempre me respondes

Quizas, Quizas, Quizas..'
(Nat King Cole)

a ouvir.. in the mood for love. ost,2000

Sábado, Janeiro 20, 2007

Maria Helena Vieira da Silva. 'Plage', 1954

hastes de madeira ou de ferro, velas de embarcações, antenas, paus de carga, luzes, marcos de posição e de embarque. no Tejo? podia ser.

Sexta-feira, Janeiro 12, 2007

som ao acordar

pequeno apontamento...



fotografia. margarida delgado


a ouvir..

Charlotte Gainsbourg

'5:55'
composto em parceria com Jarvis Cocker (Pulp), Neil Hannon (The Divine Comedy), e o duo Air como banda de apoio

1. 5:55
2. Af607105
3. The Operation
4. Tel Que Tu Es
5. The Songs That We Sing (album version)
6. Beauty Mark
7. Little Monsters
8. Jamais
9. Night-Time Intermission
10. Everything I Cannot See
11. Morning Song

'...It's a genuinely delightful album, but also a puzzling one. Given her discomfort in the studio and reticence regarding her father - she refuses to discuss him in public "for my own sake" - you have to wonder why on earth Charlotte Gainsbourg made the album. An acclaimed and successful actress, she hardly needs a new career. There is no talk of a follow-up. The reason for 5:55's existence remains a mystery, but it's hard not to feel glad it exists. 'the guardian aqui

Quinta-feira, Janeiro 04, 2007

limites? abstracta? ou apenas nevoeiro

Um braço de rio que se solta da margem os ramos
prolongam, na água, a nostalgia de terra. A pureza
da luz não atravessa a superfície para se perder
num fundo que não se adivinha (ali, onde a corrente
faz saltar as espumas do centro, ninguém se aventura
- mesmo que as pedras separem o curso branco
das águas). «Que é isto?», perguntas. A parábola
capital a tua vida cortada ao meio, como se não
houvesse uma direcção única a prosseguir até ao
fim. «Nem no amor?» Porém, a tarde traz consigo
o frio, a visão transparente dos montes, e até

o canto dos pássaros parece mais nítido, como se
nenhuma outra vibração o contaminasse. Respiro
contigo o conhecimento da realidade mesmo que ele
passe pela descoberta de outra vida, pelo contacto
entre duas solidões, ou apenas por uma breve
hesitação antes que os lábios se toquem, levando
um e outro a saltar a outra margem - a mais abstracta
a que apenas separa um corpo de outro corpo e,
por cima disso, define os limites da razão e do sentimento.


Nuno Júdice. 'Quase uma natureza morta'



















fotografias. margarida delgado

Quarta-feira, Janeiro 03, 2007

jazz e inverno


a ouvir






















'Jazz in Paris '
Chet Baker Quartet
Plays standards

Originally released: 2001
Universal Music S.A. 2002

1. Summertime
2. You Go To My Head
3. Tenderly
4. Lover Man
5. There's A Small Hotel
6. Autumn In New York
7. These Foolish Things
8. I'll Remember April

Terça-feira, Janeiro 02, 2007

De expectativa e de segredos

Do eco dos sinos e do silêncio
da aragem do vento e da calma azul do horizonte.

o que permanece.


fotografia. ana , 'santorini'. 06

'Sinto que hoje novamente embarco
Para as grandes aventuras,
Passam no ar palavras obscuras
E o meu desejo canta --- por isso marco
Nos meus sentidos a imagem desta hora.

Sonoro e profundo
Aquele mundo
Que eu sonhara e perdera
Espera
O peso dos meus gestos.
E dormem mil gestos nos meus dedos.

Desligadas dos círculos funestos
Das mentiras alheias,
Finalmente solitárias,
As minhas mãos estão cheias

De expectativa e de segredos

Como os negros arvoredos
Que baloiçam na noite murmurando.

Ao longe por mim oiço chamando
A voz das coisas que eu sei amar.

E de novo caminho para o mar.'

Sophia de Mello Breyner Andresen, 'hora'